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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Sigilo bancário em risco na Suiça

Um artigo interessante de Gilles Lapouge que a seguir traduzimos e que nos dá umas luzes sobre uma das guerras que actualmente está a acontecer no sistema financeiro mundial...

"A Suíça estremece e Zurique alarma-se. Os grandes e discretos bancos de Basileia e Berna estão preocupados. Todos parecem preparar-se para, na penumbra, velarem a morte anunciada de um moribundo: o famoso segredo bancário suiço.
O ataque veio dos Estados Unidos pela mão do presidente Obama. Sob a ameaça de ver retirada a sua licença nos EUA, o gigante bancário suiço UBS viu-se obrigado a disponibilizar os nomes de 250 clientes americanos suspeitos de defraudar o fisco. A seguir os americanos exigiram que fossem disponibilizados mais dados de 52 mil clientes suspeitos de serem titulares de contas ilegais.
Perante estes ataques ao segredo bancário, o partido de extrema-direita UDC, com um terço das cadeiras no parlamento, propôs que o sigilo bancário fosse inscrito na própria constituição suiça.
O problema é que o UBS não pode perder a sua licença nos EUA de onde obtém 1/3 das suas receitas.
Embora já existisse desde 1714, foi em 1934 que foi proclamada a Lei do sigilo bancário que permitiu à Suiça, como país neutro, enriquecer à custa da desgraça alheia e das várias calamidades que aconteceram na Europa durante o século passado.
O historiador suíço Jean Ziegler, que há mais de 30 anos denuncia a imoralidade helvética, estima que os bancos do seu país, amparados no segredo bancário, fazem frutificar três triliões de dólares de fortunas privadas estrangeiras, sendo que os activos estrangeiros chamados institucionais, como os fundos de pensões, são nitidamente minoritários.
Ziegler calcula ainda em 27% a parte da Suíça no conjunto dos mercados financeiros "offshore", bem à frente do Luxemburgo, Caribe ou o extremo Oriente.
Na Suíça, um pequeno país de 8 milhões de habitantes, 107 mil pessoas trabalham em bancos, revestindo-se o dinheiro de um carácter sacramental: guardar, recolher, contar, especular e ocultar o dinheiro, são todos actos que se revestem de uma majestade ontológica, que nenhuma palavra deve macular, devendo realizar-se em silêncio e recolhimento...
Onde estão as fortunas da Alemanha Nazi ?
Onde estão as fortunas colossais de ditadores como Mobutu do Zaire, Eduardo dos Santos de Angola, dos Barões da droga Colombiana, Papa-Doc do Haiti, de Mugabe do Zimbabwe e da Máfia Russa ?
Quantos actuais e ex-governantes, presidentes, ministros, reis e outros instalados no poder, até em cargos mais discretos como Presidentes de Municípios, quantos têm mais ou menos chorudas contas na Suíça?
Quantas contas ficam eternamente esquecidas na Suíça, congeladas, e quando os seus titulares morrem ou caem da cadeira do poder, tornam-se impossíveis de alcançar pelos legítimos herdeiros ou pelos países que indevidamente espoliaram ?
Porque razão após a morte de Mobutu, os seus filhos nunca conseguiram entrar na Suíça onde tudo lá ficou para sempre e em segredo ?
Depois do duro golpe dos americanos, um país com muitos defeitos mas onde a fraude fiscal é tida como um dos crimes mais graves, foi a vez do encarregado do departamento do Tesouro britânico Alistair Darling, apelar aos suíços para se ajustarem às leis fiscais e bancárias europeias, apertando ainda mais o certo feito por uma comunidade internacional a braços com a crise financeira que afecta grande parte dos países do mundo.
Os americanos da Goldmans Sachs esfregam as mãos de felicidade."

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